ESTA É A CANÇÃO QUE EU COMPUS PARA O PROJECTO - O ESPIRITO DAS ÁGUAS E QUE DEVERÁ SER CANTADA POR UMA SOPRANO BRASILEIRA, MAS AQUI FICA A MOSTRA, APESAR DA MINHA VOZ, DE BAIXO, SER BASTANTE DIFERENTE.

-----------------NORBERTO MACEDO-----------------

Este é o meu blog pessoal, onde pretendo dar informações sobre a minha actividade profissional como professor e como concertista que sou. A todos os visitantes, o meu muito obrigado e serão sempre bem vindos!

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sexta-feira, 12 de outubro de 2007

...Na Quinta do Panascal






ABEL BOTELHO, MEU AVÔ E EU, NA QUINTA DO PANASCAL


No passado dia 21 de Setembro, ocorreu um colóquio, na Quinta do Panascal, sobre a vida e a obra do digno cidadão e consagrado escritor, ABEL BOTELHO, nascido em Tabuaço, a 23 de Setembro de 1854.
Vários e sabedores conferencistas dissertaram ao longo de horas sobre tão ilustre figura, para regalo e proveito das poucas, mas boas, personalidades presentes.
De salientar que no intervalo, surgida não se sabe donde, apareceu muita mais gente do que a que estivera antes e permaneceu depois. Era a hora da janta. Pelos vistos, a essa gentinha só faz falta o repasto para engordar o corpinho. Espero que o espírito não esteja tão mumificado que não aguente nenhuma garfada cultural. É pena, mas cada um come do que gosta e aquilo que o arcaboiço suporta.
À laia de fim de festa, foi servido um curto, tardio, mas ainda assim, saboroso concerto pelo compositor, intérprete e professor de violão Norberto Macedo, natural de Barcos-Tabuaço, há muitos anos radicado no Rio de Janeiro-Brasil.
A lua incidiu a sua luz fosforescente e romântica durante as primeiras horas da noite sobre as escarpas da Quinta do Panascal e montes circundantes. Um plenilúnio de sonho a passear-se nos altos dos céus que do fundão do Távora se desfruta. Aqueles altos céus fazem-me lembrar a base de um cone invertido, imperfeito na forma geométrica, mas perfeitíssimo na sua espectacular beleza.
De repente, a lua escondeu-se por detrás das mais altas montanhas fronteiras à quinta. Talvez para não perturbar, com a sua luminosidade, o momento de recolhimento, de sonho, de amor que ali se vivia. Era a hora dos resistentes escutarem a sonata – a serenata – a música sublime que os ágeis dedos de Norberto Macedo retiram do violão.
Talvez embalado pelos belos acordes, apesar da impertinência com que os mosquitos atacavam o músico, dei em lembrar-me do meu mítico avô materno – Guilherme Macedo. Mítico, já que nunca o vi (nem em fotografia) e são escassas as referências que dele tenho. Nem minha mãe o conheceu, pois contava apenas nove meses de idade, quando ele faleceu. E “vi-o”, ali, por baixo das aparências de Norberto Macedo (seu sobrinho-neto), naquela Quinta, onde, há mais ou menos 100 anos, foi caseiro.
Morreu novo o meu avô materno! De quê? Sabe-se lá! Seria de malária, na época um flagelo nesta então inóspita e pobre região duriense? Seria a dureza da vida? Não sei, nem quero inventar causas, por mais prováveis que sejam. Com o rancho de filhos que deixou, com os recursos financeiros que facilmente se percebem escassos, não morreu, por certo, de indigestão. Terá ele sentido fome e sede de justiça, fome e sede de cultura, apetência para alimentar o espírito? Ante a insaciável fome e sede de cultura deste seu neto e do seu sobrinho-neto Norberto Macedo, sou levado a imaginar que sim.

Lisboa, 12 de Outubro de 2007
André Moa

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1 Comentários:

  • Às 14 de outubro de 2007 15:23 , Anonymous Osvaldo disse...

    "Vida e morte de um avô"...
    Assim viveram e morreram muitos dos nossos avós...
    Caro AM, este teu recital é magnífico. De tão triste se torna belo. Por vezes a tristeza transforma-se em vapores de fascinação que catadulpam ventos de calmaria espiritual.
    Um abraço para ti e para o Norberto.

     

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